No limiar da moda e da geologia, a Vollebak, marca vanguardista em vestuário experimental, desvela sua mais recente e audaciosa criação: a Rock Jacket. Esta peça única, mais do que um simples casaco, é uma declaração sobre o futuro dos materiais e a nossa relação com o planeta. Imagine uma jaqueta de corte moderno, um estilo Harrington reimaginado para um futuro distópico, mas em vez de tecido convencional, ela é inteiramente revestida por 54.000 minúsculas peças de ardósia, cada uma com cinco milímetros quadrados e meio milímetro de espessura. A visão é tão radical quanto a execução, desafiando a própria definição do que pode ser considerado vestuário.

Um Diálogo com a Terra

A Rock Jacket não surge do vácuo; é a mais recente incursão da Vollebak em territórios materiais inexplorados. A marca já nos habituou a jaquetas feitas de grafeno, cobre, noz americana e até mesmo Dyneema, uma fibra 15 vezes mais resistente que o aço. A ardósia, um material que levou milhões de anos para se formar, representa um salto lógico e ambicioso. "Tendo feito roupas com madeira, micélio e metal, a rocha parecia um dos próximos desafios lógicos a enfrentar", afirma Nick Tidball, cofundador da Vollebak. A escolha da ardósia não é aleatória; é uma provocação à indústria da moda, frequentemente criticada por seu ciclo acelerado de produção e descarte. Ao usar um material tão duradouro e ancestral, a Vollebak convida a uma reflexão sobre a longevidade e o valor intrínseco das peças que vestimos, buscando redefinir nossa conexão com os materiais mais antigos da Terra.

A Engenharia da Pedra

A materialização da Rock Jacket foi um feito de engenharia e precisão, fruto da colaboração com o tecnólogo de materiais francês Steven Leprizé. O processo adaptou técnicas desenvolvidas para a Wooden Jacket, que utilizava 250.000 peças de noz americana cortadas a laser. A técnica, conhecida como WooWood, foi refinada para lidar com a fragilidade e a rigidez da ardósia. O corte a laser das micro-lajotas em quadrados perfeitos é crucial, permitindo que a jaqueta, surpreendentemente, mantenha uma flexibilidade notável. "Existem 50 etapas para fazer este material, e o corte das peças é o mais importante", explica Leprizé. Essa meticulosidade contrasta com a natureza bruta da rocha, evidenciando que a inovação reside tanto na escolha do material quanto na sofisticação do processo de fabricação, transformando um elemento geológico em um tecido vestível e funcional.

Para Além da Tendência

A Vollebak não se contenta em criar peças de exibição; o objetivo é tornar a Rock Jacket comercialmente viável em até dois anos. Este é um passo ousado, considerando os desafios criativos e de fabricação inerentes ao trabalho com um material tão incomum. A marca busca provar que a abundância da rocha no planeta a torna uma candidata séria para futuras aplicações em vestuário, desafiando a percepção de que materiais naturais e duradouros são incompatíveis com o design de moda moderno. Ao reintroduzir a rocha no nosso cotidiano, a Vollebak não apenas explora uma nova fronteira material, mas também nos convida a reconsiderar o que é possível e desejável no universo da moda.

Enquanto a arquitetura já redescobre a pedra como um material de construção moderno, com exemplos notáveis como um edifício em Londres com exoesqueleto de pedra estrutural, o vestuário ainda engatinha nessa direção. A Rock Jacket da Vollebak é um vislumbre de um futuro onde a sustentabilidade não é apenas uma palavra da moda, mas um princípio intrínseco à escolha e ao design dos materiais, tecendo um novo fio na tapeçaria da inovação têxtil.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen