A batalha legal da ex-deputada Carla Zambelli, travada à distância a partir da Itália, ganhou um novo capítulo. Zambelli contratou o advogado brasileiro Eduardo Maurício para se juntar à sua equipe de defesa, com o objetivo explícito de contestar duas condenações no Supremo Tribunal Federal (STF) e barrar um segundo pedido de extradição feito pelo Brasil.
O movimento, no entanto, parece ser mais do que uma simples troca de peças no tabuleiro jurídico. A nova linha de defesa sinaliza uma escalada na estratégia de confronto direto com o Judiciário brasileiro. A tese central, segundo o novo advogado, é a de que Zambelli é vítima de “perseguição política” e que seu julgamento no Brasil não seria justo, colocando em xeque a própria imparcialidade da mais alta corte do país.
A Estratégia do Confronto
A defesa de Zambelli agora joga abertamente com a politização do caso. Em nota, o advogado Eduardo Maurício afirmou que buscará anular as condenações — uma por envolvimento na invasão do sistema do CNJ e outra por porte ilegal de arma ao perseguir um jornalista em 2022 — sob o argumento de que não houve respeito ao devido processo legal. A novidade é o ataque nominal aos julgadores.
A estratégia inclui questionar a imparcialidade dos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, citando envolvimento em outras polêmicas. Ao tentar transformar o processo de extradição em um referendo sobre a credibilidade do STF em um tribunal europeu, a defesa eleva o risco. É uma aposta que busca desviar o foco dos crimes pelos quais a ex-deputada foi condenada para uma narrativa maior de perseguição institucional.
O Tabuleiro Ítalo-Brasileiro
O palco para este embate é a Itália, cujo sistema judicial já se mostrou um terreno complexo. Zambelli foi solta em maio depois que a justiça local anulou, por duas vezes, decisões que autorizavam sua extradição. A insistência do Brasil em um novo pedido demonstra a relevância do caso, mas a defesa aposta na sensibilidade europeia ao argumento de asilo político, ainda que de forma velada.
A declaração de que entregar Zambelli ao Brasil seria “condená-la à morte” é uma hipérbole calculada para o público italiano. O sucesso da nova estratégia não dependerá de provar a inocência da ex-deputada nos casos originais, mas de convencer a corte italiana de que o sistema de justiça brasileiro está, ele próprio, sob suspeita. O caso se torna um proxy para uma disputa sobre a legitimidade das instituições brasileiras, com um veredito a ser dado em Roma.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





