Em análise recente publicada por @luizfernandodiniz, o lançamento do novo programa de afiliados da Nestlé é posicionado como um marco no avanço da estratégia digital da companhia. A multinacional centenária, que hoje está presente em 99% dos lares brasileiros, decidiu transformar criadores de conteúdo, consumidores com presença digital e até colaboradores internos em um canal direto de vendas. Através do uso de links e cupons, os participantes recebem comissões pelas vendas geradas para marcas do portfólio, como Dolce Gusto, Kopenhagen e Puravida. O movimento formaliza uma mudança de paradigma: o criador deixa de ser visto apenas como um parceiro de construção de marca (awareness) e passa a ser cobrado e remunerado como um canal de aquisição.

A métrica da confiança e o tamanho do mercado

Para justificar essa guinada em direção à conversão direta, a análise aponta dados do Edelman Trust Barometer 2025. O levantamento indica que entre 50% e 60% dos consumidores confiam em pessoas comuns e em criadores de conteúdo no momento crítico da decisão de compra. Foi a partir da leitura desse comportamento que a Nestlé decidiu construir sua nova estrutura comercial, apostando na comunidade como um ativo estratégico.

O movimento ocorre em um terreno de proporções globais, com o Brasil despontando como um dos maiores mercados de criadores do mundo. As projeções citadas na análise indicam que a creator economy brasileira deverá movimentar US$ 33,5 bilhões até o ano de 2034. Para contexto, a BrazilValley aponta que a adoção de programas de afiliados não é inédita no varejo digital, mas a entrada de uma gigante de bens de consumo com essa estrutura sinaliza uma maturação do modelo, tradicionalmente dominado por grandes marketplaces e plataformas de infoprodutos.

A profissionalização forçada do setor

A entrada de uma operação com a escala da Nestlé no jogo de afiliados altera a dinâmica de todo o ecossistema. Quando uma corporação desse porte estabelece estrutura, curadoria e um calendário rigoroso de campanhas, a régua de exigência para os parceiros sobe automaticamente, forçando uma profissionalização do mercado de influência.

O impacto imediato recai sobre a base de influenciadores. Aqueles que operam de forma amadora tendem a perder espaço para profissionais que dominam a mecânica da conversão, a estruturação de funis de vendas e a análise de dados. A influência passa a ser avaliada por sua capacidade matemática de gerar receita.

A sobrevivência do criador de conteúdo nesse novo cenário depende de uma compreensão pragmática do próprio negócio. A comunidade deve ser tratada como um ativo, e o conteúdo, como um canal de distribuição claro. Como a iniciativa da Nestlé demonstra, a influência desacompanhada de resultados comerciais mensuráveis tem um prazo de validade cada vez mais curto no orçamento das grandes marcas.

Source · @luizfernandodiniz