O Candy Corn, um dos doces mais icônicos do Halloween, carrega consigo um segredo que pode arruinar a festa de muitos: ele é feito, em parte, de secreções de insetos. Mas essa não é uma peculiaridade isolada. Muitos doces clássicos, como Jelly Beans, Milk Duds, Junior Mints e Whoppers, também utilizam o chamado "glacê de confeiteiro", um ingrediente que, para surpresa de muitos, é derivado de lac.
O Glacê de Confeiteiro: Uma Visão Detalhada
O glacê de confeiteiro, também conhecido como shellac, é uma resina brilhante e impermeável produzida pelas fêmeas dos insetos lac. Esses insetos se fixam em galhos de árvores e secretam uma substância gomosa, o lac, que forma um casulo protetor. É dentro dessa cobertura resinosa que a fêmea deposita seus ovos e completa seu ciclo de vida. A colheita envolve a remoção dessa resina dos galhos, seu derretimento, purificação e endurecimento em lascas. Estima-se que sejam necessárias as secreções de cerca de 100.000 insetos para produzir um quilo de shellac. Cerca de 0,25% do peso de um doce brilhante é composto por esse subproduto.
Por Que Usar Shellac em Doces?
O shellac é valorizado na indústria alimentícia por suas propriedades únicas. Ele confere brilho, protege contra umidade e, crucialmente, é insípido. Sua versatilidade permite que seja usado em diversas aplicações, desde polimento de móveis até esmaltes e sprays de cabelo. Na indústria de doces, ele substitui alternativas que podem não ter a mesma durabilidade ou funcionalidade. Por exemplo, o zein, uma proteína derivada do milho, pode ser usado como revestimento vegano, mas é considerado menos eficaz que o shellac em termos de resistência e barreira contra umidade. Além disso, o zein pode exalar um odor desagradável durante o processo de fabricação.
A Perspectiva Humana sobre Subprodutos Animais
O fato de comermos um produto de insetos pode chocar, mas, como apontam especialistas, sociedades industrializadas dependem intrinsecamente de produtos de outras espécies. O consumo de carne, lã, seda e couro são exemplos cotidianos. O shellac não é o único subproduto animal em nossos doces. O corante carmim ou extrato de cochonilha, derivado de um tipo de inseto esmagado, confere o vermelho vibrante a doces como Nerds Gummy Clusters e Good & Plenty. Da mesma forma, marshmallows e gomas ainda utilizam gelatina, extraída de colágeno animal.
Aceitação e o Futuro dos Ingredientes
A percepção sobre o que é "nojento" é subjetiva. Enquanto alguns podem se sentir incomodados com a origem do shellac, outros aceitam a prática como parte do processo industrial. A FDA, por exemplo, permite um certo nível de fragmentos de insetos e pelos de roedores em produtos agrícolas, como o chocolate, considerando-os inevitáveis e inofensivos. A ciência alimentar continua a buscar alternativas mais sustentáveis e éticas, mas a funcionalidade e o custo-benefício do shellac o mantêm relevante. A questão permanece: quão conscientes estamos dos ingredientes que consumimos e o que estamos dispostos a aceitar em nome do sabor e da conveniência?
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Atlantic — Science



