A atração e a fidelização de talentos consolidaram-se como o maior desafio estratégico para as empresas familiares na Espanha. Segundo o Informe de Empresa Familiar 2026, realizado pela KPMG em parceria com o Instituto da Empresa Familiar (IEF), 41% dos executivos apontam essa questão como o risco imediato mais crítico, número que se mantém em 37% em uma perspectiva de longo prazo.
O cenário espanhol reflete uma pressão superior à observada na média global, onde o índice de preocupação com o capital humano é de 36%. A leitura aqui é que a longevidade dessas organizações, historicamente sustentada por laços consanguíneos e cultura interna, encontra agora um gargalo competitivo em um mercado de trabalho cada vez mais disputado e volátil.
O dilema da sucessão e a gestão profissional
A necessidade de modernização da governança é o desdobramento natural desse cenário. Atualmente, 43% das empresas operativas são geridas diretamente por membros da família, uma estrutura que deve cair drasticamente para 10% até 2035. A transição aponta para uma profissionalização acelerada, com a gestão supervisionada por conselhos familiares saltando de 19% para 25% no mesmo período.
Essa mudança estrutural não é apenas uma escolha, mas uma adaptação à complexidade dos negócios. Com a migração para modelos de holdings e estruturas de investimento tipo 'family office', a gestão familiar pura torna-se insuficiente. A profissionalização, portanto, surge como a via principal para garantir que a estratégia de negócio não seja limitada pelo tamanho do clã familiar.
Crescimento orgânico versus fusões
Diante da incerteza econômica, o relatório indica uma preferência clara das empresas familiares espanholas pelo crescimento orgânico. Em vez de buscar atalhos via fusões e aquisições (M&A), essas organizações estão apostando na diversificação de produtos, serviços e geografias. A lógica é preservar a autonomia e a cultura organizacional enquanto se expande a base de receita.
Essa estratégia de crescimento exige, contudo, um capital humano qualificado que muitas vezes não está disponível dentro da própria família. O dado de que 43% das empresas preveem que a maioria dos cargos de alta gestão será ocupada por executivos externos reforça a tese de que o sucesso futuro depende da capacidade de atrair talentos de mercado sem perder a identidade central do negócio.
Pressões regulatórias e o futuro do comando
A preocupação com a complexidade normativa é outro ponto de tensão. Cerca de 35% dos diretores espanhóis temem mudanças nos padrões de demanda, um receio maior do que o registrado por seus pares globais. Esse ambiente exige um marco regulatório mais estável, algo que as empresas familiares têm demandado com frequência para planejar investimentos de longo prazo com segurança.
O modelo de liderança híbrida, que combina talento da família com executivos externos, tornou-se a norma para 41% das empresas. Apenas 13% das organizações consultadas esperam que a família mantenha a concentração total dos papéis diretivos, um contraste marcante com a média global de 24%. Essa abertura para o mercado é um divisor de águas para a sobrevivência dessas companhias.
O que observar daqui para frente
A transição para modelos de governança mais sofisticados será o principal teste de resiliência para as empresas familiares espanholas na próxima década. A capacidade de integrar executivos de fora sem corroer os valores que construíram o legado familiar permanece como a grande interrogação para conselhos de administração em todo o país.
O mercado observará atentamente se essa profissionalização será suficiente para mitigar os riscos operacionais identificados. O sucesso dependerá menos da estratégia de mercado escolhida e mais da habilidade em gerir a transição do poder entre gerações e profissionais externos. Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





