Logo após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2022, um período que gerou apreensão nos mercados financeiros, a Gavekal Research, através de seu analista Rohan Daswani, publicou uma análise de contramão. A recomendação sugeria considerar a correção de preços da época como uma oportunidade estratégica de compra de ativos no país. A tese da consultoria, formulada naquele momento, se apoiava em fundamentos que, segundo Daswani, permaneceriam sólidos mesmo diante de um cenário político distinto do antecipado por parte do mercado.

O argumento central da Gavekal residia na crença de que os preços dos ativos brasileiros já precificavam, antes da eleição, uma vitória da oposição, associada a uma disciplina fiscal mais rigorosa. Com o resultado eleitoral divergindo dessa expectativa, um movimento de venda de curto prazo era considerado provável. A análise, no entanto, defendia que essa reação inicial não deveria ofuscar os atrativos estruturais do Brasil. A consultoria destacava os juros nominais e reais excepcionalmente elevados, um diferencial importante no cenário global da época, além da forte exposição do Brasil a commodities e sua crescente relevância na oferta de minerais críticos.

Um fator político adicional que, segundo a análise, limitaria o risco de guinadas econômicas bruscas era a composição conservadora do Congresso Nacional eleito em 2022. Daswani apontava que a direita havia assegurado a maioria tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, o que, em sua visão, imporia um freio a possíveis políticas econômicas de viés mais à esquerda. Essa configuração legislativa, argumentava a Gavekal, sugeria que mudanças radicais na condução econômica seriam difíceis de implementar, oferecendo um grau de estabilidade para investidores.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times — Mercados