A proposta de reduzir gradualmente a taxa Selic a 7,5%, defendida por André Lara Resende — um dos formuladores do Plano Real — reacendeu o debate sobre a interação entre política monetária e fiscal no Brasil. Segundo o Money Times, a sugestão foi publicada em um artigo de setembro e acabou compartilhada por figuras ligadas ao PT, como a senadora Gleisi Hoffmann. No texto, Resende critica o foco exclusivo no déficit primário e argumenta que o custo financeiro da dívida pública deveria estar no centro da discussão.
Reação do mercado
Banqueiros e economistas ouvidos pelo Money Times receberam a tese com ceticismo. Um deles a classificou como "brincadeira de mau gosto"; outro a tratou como um "balão de ensaio". A avaliação recorrente é que, sem um arcabouço fiscal crível, um corte dessa magnitude seria contraproducente e arriscaria a credibilidade da política econômica.
Executivos do setor financeiro também reforçaram que não cabe "reduzir os juros na marra" e que a política monetária precisa caminhar em consonância com a estabilidade fiscal — posição alinhada às falas públicas recentes do CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, citadas pela reportagem.
Posição do governo
De acordo com o Money Times, o Ministério da Fazenda se apressou em descolar o governo da proposta. Dário Durigan, que tem atuado na interlocução econômica, negou que houvesse agenda para discutir o tema com o presidente Lula e indicou que a posição não reflete uma diretriz do governo. A visão predominante entre banqueiros ouvidos é que experiências que tentaram forçar quedas de juros sem uma âncora fiscal sólida fracassaram em outros países.
Fiscal primeiro, depois juros
Para os interlocutores do mercado consultados pela reportagem, a ordem de prioridades é clara: consolidar a trajetória das contas públicas, reduzir incertezas fiscais e preservar a autonomia operacional do Banco Central. Só então haveria espaço para discutir uma Selic estruturalmente mais baixa, com menor risco de pressionar a inflação e o câmbio.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





