O governo do Rio de Janeiro vai exigir que 167 mil aposentados e pensionistas estaduais realizem a prova de vida anual por meio de reconhecimento facial. A partir de outubro, o procedimento, antes presencial, será feito exclusivamente pelo aplicativo federal Gov.br, segundo reportagem do InfoMoney. O cronograma seguirá o mês de aniversário dos beneficiários.
O movimento do Rioprevidência é um dos mais significativos testes de estresse para a plataforma Gov.br, o pilar da estratégia de governo digital no Brasil. A iniciativa busca endereçar um problema crônico da administração pública: a fraude em pagamentos de benefícios a pessoas já falecidas. Ao centralizar a validação em uma identidade digital segura, com biometria, o estado aposta na tecnologia para enxugar a folha de pagamentos e garantir a sustentabilidade do sistema.
O teste de estresse do Gov.br
A migração não é trivial. Para validar a prova de vida, o beneficiário precisará ter uma conta nível Prata ou Ouro no Gov.br, que exigem etapas adicionais de verificação, como biometria facial ou validação por meio de um banco conveniado. A medida eleva a segurança, mas também a complexidade para o usuário final. Na prática, o Rio de Janeiro funciona como um laboratório em larga escala, cujo resultado será observado por outros estados e pelo próprio INSS.
O sucesso da empreitada depende da capacidade da plataforma federal de suportar a nova demanda e, principalmente, da eficácia da comunicação do Rioprevidência. A promessa de postos de atendimento para auxílio é um reconhecimento do desafio, mas a escala da operação sugere que a principal barreira será digital, não física.
Entre a eficiência e a exclusão
O dilema da digitalização de serviços para idosos se manifesta de forma clara neste caso. De um lado, a conveniência de não precisar se deslocar a uma agência. Do outro, o risco de exclusão para quem não possui um smartphone compatível, acesso à internet ou familiaridade com aplicativos. A suspensão do benefício, mesmo que precedida de um período de tolerância, é uma consequência grave para uma falha de adaptação tecnológica.
A iniciativa também abre uma nova frente para fraudadores. Como o próprio Rioprevidência alerta, a migração para o digital será acompanhada por tentativas de phishing e golpes, com criminosos se aproveitando da confusão para roubar dados e dinheiro. A batalha pela eficiência, portanto, será travada tanto no campo da tecnologia quanto no da educação digital.
A digitalização da prova de vida é um caminho sem volta, alinhado à modernização do Estado. O sucesso da iniciativa no Rio, contudo, não será medido apenas pela economia gerada com o corte de fraudes, mas pela capacidade de incluir, e não penalizar, justamente a população que o sistema se propõe a proteger.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





